Ansiedade não é isso que você tá pensando

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Eu nunca li nenhum desses livros de auto-ajuda, nem li nenhum dos tantos livros citando o novo "mal do século" (que nunca se decidem: algumas vezes é a depressão, outras a ansiedade). Eu apenas recentemente comecei a visitar um profissional para me ajudar com o assunto. Eu sou jornalista, não psicóloga ou médica. Não tô aqui pra descrever pra vocês as causas, ou como lidar com a ansiedade, ou com a depressão - tanto porque, se eu soubesse, nunca teria passado por várias situações pelas quais passei.

Uma coisa que muita gente precisa entender: Sim, todo mundo carrega consigo um pouco dessa "ansiedade". Mas quando nós - que sofremos disso - nos referimos à ela, não estamos falando do coração batendo forte antes de uma apresentação ou prova, ou de uma preocupação antes de algum compromisso. Acho que isso é a coisa que aqueles que sofrem desse problema mais gostariam que muita gente entendesse. Realmente apreciamos sua tentativa de se aproximar, da mão amiga no ombro e a frase "tudo bem, eu já passei por isso, uma vez fiquei tão nervosa pra fazer uma prova que minha mão suava"; mas a ANSIEDADE que nós nos referimos não é isso.

Sofrer de Ansiedade, REALMENTE sofrer de ansiedade é um sentimento aterrador. E agora eu vou falar como uma pessoa que passa por isso, não alguém que entenda o problema.

Sofrer de Ansiedade não é suar a mão, ou tremer as pernas. Sofrer uma crise de ansiedade é constantemente viver em medo de ter uma crise. É saber que ela surge dos modos mais inusitados, nos lugares menos propícios, e você não vai poder fazer nada além de lidar com ela do modo que puder.

Ter uma crise é um dos piores sentimentos que eu já tive.

Faz alguns meses, comecei a desenvolver um certo pânico de sair de casa. E é a partir daí, quando eu tento explicar para alguém, que a pessoa começa a interpretar mal. Desde "desculpa de preguiçoso", à "tudo bem, todo mundo fica nervoso antes de um compromisso"... já ouvi de tudo. Como sou muito de me auto-analisar, recentemente percebi que isso veio de uma bola de neve: comecei a aumentar cada vez mais minha ansiedade de sair de casa - principalmente para um lugar que me seja desconhecido -, achando que ia passar mal (no meu caso: vomitar. tenho pânico) e cheguei em um ponto que a ansiedade começou a aparecer sempre que eu pensasse em sair pra fora de casa, e cada vez que preciso, preciso tomar remédio para o estômago. Agora vem a parte engraçada: eu odeio ficar em casa. Por motivos que não são necessários citar aqui, eu não gosto e não posso passar tempo demais em casa. Sendo assim, me tornei refém do meu próprio psicológico.

"Ah mas é só superar isso".

É.

Porém não.

Para quem nunca passou por uma crise de ansiedade, eu vou tentar descrever para você.

Passar por um momento desses é sentir seu corpo vibrar por dentro; é perder a força nas pernas e ver o ambiente começar a girar, suar frio e, em casos mais extremos, o ar começar a faltar. É sentir sua respiração começar a acelerar; é abrir e fechar as mãos numa expectativa de que seu sangue circule melhor assim. É começar a ficar impaciente, por saber que está passando por uma crise, e não conseguir fazer ela acabar. É ter vontade de chorar, por não ter controle sobre o próprio corpo. É sentir seu peito apertar cada vez mais de nervosismo, e sua visão se nublar com um desespero velado, onde pensamentos como "meu deus eu não posso passar mal agora" e "o que eu faço?" começam a assolar sua mente. É se sentir incapaz, muitas vezes tentando repetir mantras como "isso é coisa da sua cabeça. já vai passar. já vai passar. ja vai passar....", mas no fundo sentir que nunca vai passar.
É contar de trás pra frente, e se perder depois (ou, às vezes até antes) dos primeiros 10 números. É sentir o momento diminuir, seu corpo começar a relaxar, respirar fundo e pensar "acho que tá passando".

Mas além de tudo isso, sofrer de crises de ansiedade é um constante medo, e - por mais que te digam que não - uma insatisfação. É encher o saco de ouvir "você não precisa se preocupar com isso!", mas ao mesmo tempo precisar ouvir essa frase uma, duas, três, vinte vezes, na expectativa de que uma dessas vezes seu inconsciente capte a ideia e realmente pare de se preocupar. É SABER que sua ansiedade é "sem motivos", e muitas vezes besteira, e ainda assim não conseguir agir de forma diferente. Porque pode ser besteira, mas seu cérebro não interpreta assim.

É se sentir pequena, e infeliz, e insatisfeita consigo.

Sofrer crises de ansiedade é - e o que eu espero que aqueles que não passam por isso entendam - muito mais do que uma mão tremendo e um coração batendo forte. É seu corpo não se mover e seu coração ameaçar sair do peito.

Eu penso várias vezes "como me deixei chegar a esse ponto?", por mais que saiba que não há motivos para se culpar, e que essas coisas acontecem em algum momento da nossa vida. Imagino que não seja a única, no entanto, a pensar coisas assim. É inevitável. A gente intente o quão sério é, e que não tem como evitar, mas se culpar é natural. Então eu peço, a todos que não entendem realmente como é passar por isso: evitem de culpar a pessoa que está num mau momento, tendo crises de ansiedade. Não é que ela queira estar assim. Não é que ela já não se culpe. O que ela precisa é alguém do lado, dizendo "respira" e incentivando (sem pressão!!) a voltar a fazer as coisas, ou, no meu caso, à sair de casa.

Eu resolvi procurar ajuda. A gente tem que ver quando o problema é maior do que aquilo que podemos lidar sozinhos. Estamos em 2015, cada vez mais as pessoas se preocupam com tudo e se estressam com nada. Não é feio ou errado precisar de auxilio. Não se feche, não deixe o probleminha virar um problemão. Lute contra isso e mentalize o quão forte você é. Com força de vontade em algum momento você vai olhar pra trás e perceber que a ansiedade ficou lá e não te acompanha mais.




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