Eram 17h52 quando estacionei em frente à casa de paredes brancas e portão de barras de ferro clássicas dos anos 90… Ou quem sabe 80? Não perguntei na verdade. O sol, se pondo naquele instante,  tingia tudo de um vermelho abundante, prenunciando dias secos. O cenário era lindo; o relato que fui ouvir… nem tanto.
   Acompanhada de minha mãe, o elo entre eu e a dona da casa que estava prestes a conhecer, chamamos pelo nome da anfitriã uma vez, olhando por entre as barras. No momento que nossa voz se fez ouvida, o silêncio do final da tarde foi quebrado. Incontáveis latidos, cada vez mais altos, eram ouvidos. Foram segundos até que o pátio frontal da então pacata casa se tornasse uma confusão de latidos, pelos, patas e olhinhos de bolita nos encarando. 
   Seguida a comoção dos cachorros veio uma senhora, desbravando espaço por entre o mar de caninos ansiosos para alcançar a tranca da grade e nos permitir passagem. Não a conhecia. Imaginei se era a dona da casa e a pessoa com a qual viemos conversar. Minha mãe, com os braços ocupados com duas caixas cheias de roupas para doação, entrou primeiro e, após cumprimentar a mulher, deixou o peso na varanda. Informou o que era o conteúdo. Descobri aí, enquanto surpresa tirava meu celular para fotografar o que acreditava ser a maior quantidade de cachorros de rua que já tinha visto numa residência, que a responsável pela moradia não era quem nos acolheu instantes antes, mas sim outra senhora. Quando Adelaide aproximou-se, vindo do interior da casa ajeitando os cabelos grisalhos num rabo improvisado, notei os olhos gentis, as roupas simples e a feição preocupada e cuidadosa de quem aprendeu a escolher as palavras e com quem proferi-las. 
  Vejam bem, quando fui convidada para visitar o local não tinha ideia de praticamente nada. Não sabia que produziria esse texto (afinal, fazia muito - até anos - que algo não me motivava a escrever no formato reportagem ou seja lá o que esse texto pode se encaixar quando acabar de redigi-lo), não sabia o que acharia, nem o que iria ver. Minha mãe tinha apenas perguntado se eu poderia ajudar tirando algumas fotos, pois uma conhecida dela que resgata animais de rua estava passando por maus momentos, sendo acusada de maus tratos, e precisava urgentemente divulgar os bichinhos para adoção para diminuir a quantidade. As fotos também serviriam para provar que não havia maus tratos naquela casa. A ideia era enviar para o jornal local, já que eles toparam divulgar. Aceitei, claro.      Primeiramente queria ajudar os bichinhos e, em segundo lugar, porque senti que parecia estar acontecendo algum tipo de injustiça ali. Mas não podia julgar antes de realmente conhecer a situação. 
   Foi com curiosidade, então, que passei pelo batente da porta da casa, situada no bairro Cristo Rei, em São Leopoldo. Eram tantas informações aos meus cinco sentidos numa só vez que senti um soco no estômago. Para começar, instintivamente tinha me preparado psicologicamente para o choque olfativo - quem tem dois ou mais cachorros em casa sabe que é difícil controlar o cheiro, imagina ter uns 30? Em puro torpor, no entanto, percebi que a casa cheirava melhor do que a minha, ou a da maioria das pessoas. Mentalmente ergui uma sobrancelha; isso tinha tudo menos sinal de maus tratos. Aquela mulher deveria passar horas e horas limpando para que a casa ficasse habitável e até mesmo bem cheirosa. Falando em cheirosa… Pude sentir no ar um aroma distinto, cara de algo sendo preparado na cozinha. Apenas meia hora mais tarde descobri que o peculiar odor que me lembrava sopa provinha de uma panela gigante, em cima de um fogão a lenha, onde Adelaide preparava antes de chegarmos uma quantidade imensa de comida para os bichinhos, que ela alternava com ração premium (cara!!) durante o dia. 


   Já na primeira peça da casa, uma espécie de sala e quarto juntos (como num quitinete ou, como a nova geração ama chamar, “loft”), em meio à bagunça de incontáveis dogginhos ainda muito agitados com as visitantes inesperadas, varri meus olhos e inicialmente contei outros 6 cães deitados em camas preparadas sobre cadeiras ou no chão. Mais alguns deitavam sobre a cama de casal ao lado da porta, sob uma janela que deixava passar de forma sutil a claridade de final do dia. Estava tão surpresa com tudo, pensando que devia ter me informado melhor sobre a situação antes e curiosa sobre detalhes que ainda não sabia, que nem sequer pensei em ligar o flash da câmera. O que me deixou com uma série de fotos iniciais borradas de animaizinhos agitados querendo ver o que eu trazia nas mãos. 
   Enquanto me situava com o lugar, os muitos animais e racionalizava a melhor forma de tirar fotos considerando a situação, ouvi conversas abafadas de minha mãe e as habitantes da casa em outro cômodo lateral; percebi minha mãe reafirmando que vim fotografar para ajudar com a adoção e que era a filha dela. Acredito que isso ajudou a aliviar a tensão de uma pessoa estranha na casa e, também, deu à Adelaide a segurança para que me contasse com tristeza, ao decorrer da visita, tudo que estava passando nos últimos dias.
   Para quem não está familiarizado com esta bela cidade (isso pode ter sido irônico) que se situa na Grande Porto Alegre, São Leopoldo é um município colonizado primariamente por alemães. Por mais que hoje seja uma cidade universitária, ainda é consideravelmente fechada e “clássica”. E eu uso clássica não de forma elogiosa, mas crítica. Existem bairros, como esse onde a casa de Adelaide - alugada com muito esforço - está situada, que são muito antigos e, desde os últimos, sei lá, 30 anos, considerados nobres. E é aí que todos os problemas da nossa protagonista começam. 
   A memória do povo brasileiro é curta, e isso não é novidade nenhuma, mas fica mais curta ainda quando novos ricos (de novo, sendo irônica, uma vez que o máximo que podemos classificar as pessoas em questão é “classe média alta”) reformam ou, mais comumente nesse caso específico, derrubam casas antigas e constroem moradias modernas, de dois ou mais andares, com piscina, espaço de garagem para três carros, placas de energia solar nos telhados e quartos extras para o ego.  De repente um bairro habitacional como qualquer outro vira um clubinho onde o mais importante é quem tem as paredes mais bem pintadas e o jardim idealizado pelo melhor paisagista da região. 
   Foi assim que Adelaide sentiu a primeira ameaça, ainda velada na época. Comentários maldosos. E com o  passar dos dias o burburinho aumentou. Foi se espalhando boatos entre o grupo de pessoas responsáveis pelo bairro (com licença, mas é muito bairro de gente rica entediada ter isso né? bairro de gente pobre que trabalha o dia todo não tem tempo nem ânimo para se organizar num fim de semana para discutir como organizar rolêzinho de festa junina dos migos. Gente ocupada e comum tem que limpar a casa no fim de semana, tarefa que não conseguiu fazer durante a semana porque trabalhava). A coisa ficou feia quando começaram a dizer que iam dar parte dela por “maus tratos”, que os cachorros sofriam, eram mal cuidados e estavam morrendo de fome. 
   O mais curioso e “tragicômico” dessa ameaça é que, quando entrei naquela casa na sexta-feira do dia 21 de junho, a primeira característica que notei nos animais era que estavam gordos. Literalmente gordos. Alguns até demais - exatamente como a minha velhinha Lilica que só come e dorme atualmente. Não fazia sentido nenhum. Como assim queriam denunciar aquela casa de abrigo privada (já que a dona sozinha recolhia e cuidava dos animais) por abuso? Por tratar mal os cachorros? Eis que Adelaide me explicou enquanto me levava para os fundos olhar os outros cães. Que por sinal eram muitos, mais do que a quantidade que havia ido nos receber no portão.
   O caso é que ela quebrava o padrão nobre do bairro. 
   Eu não estou nem usando palavras minhas. Ou dela. Essas palavras vieram da boca de uma vizinha, uma das autoras das ameaças. A mesma pessoa disse inclusive que era inadmissível que no Cristo Rei, um bairro N-O-B-R-E, ela mantenha aquele ambiente, com tapetes secando no portão e aquele brechó - que ela mantém com itens doados para vender e conseguir dinheiro para comprar ração e medicamentos. A ideia principal era expulsá-la do bairro porque ali não cabia essa quantidade de cachorros latindo e a aparência pobre do lugar. Eu não sei vocês, mas nessa hora, ouvindo esse relato, sinceramente achei que as madames estavam assistindo demasiados seriados de senhoras ricas nos subúrbios americanos. E antes que venha algum senhor desocupado caracterizar isso exclusivamente nas mulheres e suas picuinhas, não são apenas as mulheres. Mulheres e esposos estão se ocupando de fazer a vida dessa cuidadora um inferno de forma igual.
   Dias antes da minha visita, me contou a dona da casa, passara horas na delegacia, prestando queixa por violência e ameaça. O que aconteceu foi que as intimidações saíram do verbal e foram para as ações. Quando ela chegou em casa depois de um dia de trabalho - Adelaide mantém três empregos para sustentar a qualidade de vida dos animais. De dia faz limpeza e de noite é cozinheira - os cachorros estavam nervosos, havia sangue em frente a casa e um dos cachorros maiores estava com boa parte da lateral da cabeça aberta por uma pedrada. Nesses mesmos dias ela ouviu de alguns vizinhos que se ela não saísse por bem do bairro “deles”, iam começar a alimentar os animais com veneno. 

   Vi o cachorro em questão quando sai para o pátio dos fundos. Ele estava isolado na parte mais afastada do pátio, para poder se curar. Também enquanto tentava fotografar os cãezinhos maiores, que pulavam em mim totalmente dóceis e dificultavam o processo, vi outros dois ambientes fechados, com almofadas e conforto onde mais bichinhos passavam a noite. Nessa parte a cuidadora informou-me que todos estavam castrados e saudáveis, prontos para serem adotados, e apenas uma filhote recém resgatada, isolada em outro cômodo, ainda era muito pequena para a castração e estava fora da possibilidade de adoção. Enquanto isso a outra moça, aquela que nos recebeu, informava minha mãe na cozinha que consegue lenha para o fogão a lenha (tanto para fazer a comida como para manter os animaizinhos aquecidos no inverno) no serviço dela, numa fábrica que trabalha com madeira. Que se não fosse isso os gastos de Adelaide aumentariam muito.
   Conheci também as “senhorinhas dog”, cadelinhas velhinhas demais e que a anfitriã afirmou que não pretendia apresentar para adoção porque, segundo ela, não poderia afirmar que seriam bem cuidadas, pois precisam de atenção especial. Uma delas uma pintcher idosa, já com pelo esbranquiçado e cega de ambos os olhos; outra com o maxilar deformado - por um acidente no passado, antes de ser acolhida, que regenerou mal -, que até se alimenta normalmente mas que as pessoas não gostam de olhar porque ela é “feia”.
   Enquanto eu, maravilhada, conhecia cada um dos animais daquela casa e ouvia a história daquela mulher que já havia ficado sem alimento próprio para dar de comer para aqueles bichos, também mais minha indignação com a maldade e mesquinharia humana aumentavam. Estão ameaçando Adelaide, abertamente falando que podem envenenar os animais (tanto que, nervosa, a cuidadora não conseguiu trabalhar direito por vários dias, até que entrou em contato com um menino que agora fica pelas tardes na casa para ter certeza de que os bichos estejam seguros), jogando pedras na casa dela, xingando e falsamente a acusando de maus tratos, tudo para que ela saia e a harmonia de pseudo-classe alta do bairro possa ser restabelecida. Afinal, Deus me livre alguém perceber que não vivem apenas ricos naquele bairro, não é mesmo? Vai que as pessoas fiquem curiosas e passem a questionar, e talvez perceber, que nem tudo é o que parece?
   O ser humano está cada vez mais fútil, egoísta e auto-centrado. A empatia está sendo consumida e dando lugar para uma batalha de egos. E quem perde nisso? Pessoas boas, que estão preocupadas com o bem estar dos outros e dos animais, que não se preocupam com aparência, com reputação ou com popularidade, como Adelaide. 
   É inadmissível que isso aconteça, e por estar debaixo do meu nariz foi que decidi fazer esse texto. Eu posso não ser influente, conhecida ou popular, mas se eu puder escrever e expor isso para pelo menos uma quantidade de pessoas que se importam, sinto que fiz meu papel. Não posso deixar esse tipo de mesquinharia passar despercebida.
    E prestem atenção no ambiente à sua volta. Nos bairros que rodeiam sua casa, na sua cidade. Muitas vezes pessoas boas estão sendo expostas a situações como essa e todo mundo está ocupado demais para ajudar. Vamos divulgar e ajudar Adelaide a achar bons lares para seus bichinhos acolhidos, assim como mostrar que tudo que ela faz é prezar pelo bem estar desses animais, sem se preocupar com luxo ou roupas e posses, itens tão valiosos para seus vizinhos ambiciosos e vazios. 




Para ver mais fotos dos cachorros clique no link abaixo (quem sabe você se apaixone e queira adotar, hein?)
> https://photos.app.goo.gl/1LT7eXEKu5m2nDPt8


Olha só. 
Eu de novo.
E nem demorou seis meses pra isso acontecer.
TO TENTANDO SER UM POUCO MAIS PRESENTE AQUI TÁ.

Hoje precisei vir aqui comentar sobre um filme que acabei de assistir, e que é a adaptação do primeiro volume de uma série sobrenatural young adult.


Cês já ouviram falar de Fallen, da Lauren Kate, né? Caso não, essa foi uma série literária que bombou mais ou menos na mesma época que Crepúsculo. Vocês lembram como com Crepúsculo veio a onda de séries sobrenaturais juvenis? Primeiro, claramente, as de vampiros e, depois, as angelicais.
Não vou negar, ainda amo. 
As angelicais, no caso. As vampíricas li tantos romances que peguei ranço. risos.

Mas sobre Fallen:
A série consiste em 4 livros, sendo eles Fallen, Tormenta, Paixão e Êxtase. Tem uns spin offs também, mas não vamos entrar nisso aí não.
Confesso que não lembro se li todos os quatro. Tenho a impressão que, na época, enjoei no terceiro. Mas vai saber né, lia muitos do gênero e posso ter esquecido. E por época me refiro o período de lançamento deles no Brasil, que foi de 2010 à 2012. 
Lembro que todo mundo tinha uma opinião mais ou menos parecida sobre Fallen nesse período (eu era uma pessoa mais presente no universo paralelo que eram os blogs literários nessa época), que se resumia em "Até é legal mas quando chega no meio da série não dá mais pra aguentar a enrolação e narrativa arrastada". 
JURO. Todo mundo tinha uma opinião próxima a essa. Sempre diziam que não era ruim, mas era cansativo. Não era empolgante. Paradinho. Entediante. Bom mas faltava tempero. Aquela coisa toda.

Bom, sabia por anos que tentavam lançar uma adaptação cinematográfica do primeiro livro. Fiquei sabendo há um tempo que finalmente tinham escolhido um elenco e divulgado uma foto promocional... Mas acabou por aí. Não vi mais nada sobre isso e não acompanhei mais.
Ano passado vi algo sobre o filme ter sido lançado. Caguei (sério lol). Eis que esse ano tropeço em um poster dele e decido assistir.

Assim que vi, quis registrar meu ponto de vista (vi pelo youtube, e li vários comentários críticos sobre o filme lá, o que me deu uma base de argumentação). Vale lembrar que eu li a série faz teeeeempo, mas lembrava dos acontecimentos e plot principal do primeiro livro. - e do terceiro, mas isso não vem ao caso.

Então segue comigo e vamos falar sobre o filme <3


carooolho ficou muito fiel à ideia da capa do livro!

Ficha técnica
Nome: Fallen
Produção: Hungria/Estados Unidos
Diretor: Scott Hicks
Gênero: Drama de fantasia romântica
Protagonistas: Addison Timlin (1991, EUA), Jeremy Irvine (1990, UK), Harrison Gilbertson (1993, AUS). *aka salada de fruta de etnias*
Ano de lançamento: 2016 (mas nos EUA só chegou em setembro de 2017 nos cinemas. surreal)
Ano de produção: 2013/2014 (era pra lançar em 2015 mas foi adiado)
Sinopse da Lari: Lucinda (Luce) Price é enviada para uma escola interna no estilo reformatório, chamada Sword and Cross. Se me permite dizer, nomezinho clichê e sem criatividade em uma história ficcional viu. Mas vamox seguir porque isso é culpa da autora dos livros. Ela é enviada pra lá porque anda birutinha e umas desgraças andam acontecendo com ela, aí os policiais disseram que ou enviavam ela pra lá, ou pra um hospital psiquiátrico pra internação. Ok. Ela foi. Lá ela conhece uma galera meio estranha, e dois moços que ela fica tendo deja vu loko do tipo "já te vi antes migo". Um deles é todo darkzinho from hell 666 e se chama Camden (Cam pros íntimos, interpretado pelo Gilbertson), o outro é todo principezinho da disney, loirinho, fortinho, tchutchukinho, "to te evitando mas nos corte de cena te olho com tesão", etc. Cês conhecem o perfil. Esse último seria o Daniel Grigori, interpretado pelo Irvine. Aí umas coisas muito bizarras começam a acontecer, morre umas pessoas, e ela começa a lembrar de uns acontecimentos surreais dum passado que não deveria ser dela.

Agora vamos para a parte crítica, que se você ainda não leu o livro ou viu o filme, acho melhor evitar.



Primeiramente queria dizer que o filme não é tão ruim. 
Já começo assim porque sei beeeeeeeeeeeeeeeeeeeeem como são fãs literários. E nisso eu até me incluo. Nós odiamos adaptações (na real é um relacionamento de amor e ódio), já que sempre distorcem a história do livro que a gente tanto ama. Bom, talvez pense isso por não ser fã dessa saga de forma real oficial, mas eu gostava e lembrava dos acontecimentos, então me acho no direito de dizer que NÃO, NÃO FICOU TÃO RUIM O FILME.

Inclusive achei ele bem bom. Por quê?

Bom, vi logo depois do final algumas criticas comentando que ele estava meia boca, falando de questões técnicas como cortes um pouco mal feitos e transições ruins. SIM, teve de fato várias transições que te faziam dizer EITA PRA QUE. Mas, aí, vocês tem que entender uma coisa: esse filme foi uma produção com base HÚNGARA e de BAIXA RENDA. Não adianta julgar como se fosse 50 tons de cinza, gente. Sério. Cês esperavam o quê? Beyoncé cantando oh oh oh oh oh no no no no fundo com transições suaves e enevoadas? SASPORRA NAO TINHAM DINHEIRO PRA ISSO NÃO. E pra exemplificar em números, a renda para a produção desse filme foi de 40 milhões de dólares. O primeiro filme de Crepúsculo, produzido em 2007 (anos antes, o que me faz pensar que logicamente o valor das coisas atualmente já subiu muito) foi considerado de baixa renda para um YA sobrenatural e foi gasto 37 milhões de dólares - o último da série crepúsculo teve 110 milhões de dólares na produção, e mesmo assim teve uns efeitos WHAT... sacou? Cê não pode ter a audácia de esperar muita coisa em questão de efeitos especiais e edição com esse valor humildão de 40 milhões. Eles provavelmente gastaram já uma pá de dinheiro em locação (os cenários são bonitos, devem ter sido caros, mas se resumem em: floresta/mato e o castelo aka escola).


Outra questão que me incomodou foi a escolha do elenco. Eles souberam recriar muito bem figurinos da capa dos livros e looks, e isso salvou... Porque se dependesse do cast principal... O único que estava perto do que era imaginado como personagem era o Irvine no papel de Daniel. Ficou quase como imaginei. A Timlin me deixou bolada no ínicio, mas ao decorrer do filme acho que aceitei. Achei ela meio velha pro papel - depois descobri que ela é de 93, o que não deveria ser tão velha pra interpretar uma menina de 17 em 2014... mas ela tem cara de mais velha. infelizmente. MAS O QUE ME DEIXOU MAIS WTF foi o Cam. Gente... Que erro rude de escolha. Não digo que o ator não tenha interpretado de forma ok, mas ele não tinha nada a ver com o Cam e se não fosse as roupas e o cabelo levemente no estilo do personagem, eu ia ter sofrido mais ainda.  Porém entendo o quão difícil é adaptar um livro, uma vez que cada fã tem uma versão diferente da aparência física do personagem dentro da sua cabeça. É a vida. Gostei muito dos secundários, mas confesso que isso pode ter vindo do fato que não lembro das descrições físicas dos mesmos no âmbito literário. A Penn, interpretada pela Lola Kirke, estava ótima, seja ela parecida com a versão do livro ou não. 

Mas queria elogiar duas questões fundamentais. Uma é estética. Eu adorei a ideia de como retrataram as asas dos anjos. Saiu do clássico e transformaram elas em uma presença "etérea". Achei lindo, diferentão e que deu um "quê" na produção. Provavelmente teve galera que não gostou. Eu amei.
A outra coisa a ser elogiada, no meu ponto de vista, é a fidelidade com a história.
Teve sim alterações em algumas cenas, onde aconteceria algo no livro e que não aconteceu no filme... Mas isso é comum. Eles precisaram encurtar um livro em 1h31min de filme... Óbvio que ficariam coisas de fora. No entanto, perto de muitas outras adaptações que já vi, a essência da história manteve-se muuuuito fiel e eu, como não sou muito cricri com essa questão, achei até muito bem feito o roteiro. Novamente: o que mais estragou foram as transições ruins ou apressadas.

Acredito que todo mundo que já leu o livro deveria ver o filme. Sim, de mente aberta, mas vê-lo mesmo assim. Não critiquem tanto e pensem que é muito legal que essa produção finalmente saiu da gaveta nénom? Há papos que a produção do segundo filme (Tormenta) já está saindo, o que é um "grazadels" porque, assim como no livro, o filme acaba com um cliffhanger que ficaria tristemente sem explicação caso o segundo longa fosse engavetado. Vamos torcer que levem adiante! Lá em 2014 foi comentado que já estavam fazendo a sequência, mas desde então nada... Não que eu tenha procurado muito a fundo, confesso que não... Mas se souber de mais alguma coisa posto aqui depois.

<3

Ah, e uma curiosidade: o Irvine, aka nosso Daniel anjinho, recusou o papel de Peeta (Jogos Vorazes) e do Tobias em Divergente. Ele não queria a fama que vinha com esse tipo de personagem. Ou ele mudou de ideia ou viu logo de cara que esse filme não ia hittar. LOLOLOL.


Avaliação geral da Lari: 7.5/10.

“I’m an alienist. That is a doctor. But instead of 
looking to cure a disease of the body,
I look to help those who suffer from an illness of the mind.
Sometimes society looks upon people as crazy.
It may only mean that they are alienated from their own true natures.”
The Alienist 




Oi, gente. Só queria dizer que assim fica difícil né? A mulherada está ficando muito exigente ultimamente... Nada tá bom? Nenhum homem é bom o suficiente? Depois ficam sozinhas e não sabem o porquê. O cara só que agradar, mostrar que se importa, mas tudo tá ruim. Aí aposto que vão lá e valorizam quem vai tratar mal... Nem podem reclamar né.

Aposto que toda mulher já ouviu esse discurso e, se um homem não ouviu, talvez já tenha falado ele. Normal né?

Não.

Esse texto é mais uma reflexão do que uma crítica. Uma tentativa de entrar na cabeça de homens e mulheres que ainda propagam esse discurso que, até poucos anos aí, fazia sentido pra mim também. Afinal, a gente não pode ser exigente demais, todo mundo tem suas falhas, e se quisermos ter alguém do lado, temos que aceitar defeitos, mesmo que às vezes esses defeitos nos afetem, né?

Isso faz sentido. Muito sentido. Porque a gente foi ensinada a pensar assim. Real. Verídico.

Porque na nossa sociedade a gente aprendeu que a vida real é uma grande escola do ensino médio: se você tem um relacionamento você venceu na vida como mulher; se não, vai ser indiretamente questionada, criticada e tratada com condescendência. Vai sentir que todos estão olhando e apontando. Afinal de contas, “coitadinha dessa moça né, ela deve dizer que é feliz sozinha só pra não se entristecer porque não acha ninguém”.

Finalmente decidi escrever sobre isso porque tenho o ponto de vista contrário agora. Estou num relacionamento estável e, com propriedade, sou capaz de analisar. Porque aparentemente SE É UMA MULHER SOLTEIRA FALANDO ISSO CERTEZA QUE ELA TÁ SE ENGANANDO, né? SÓ QUER REAFIRMAR O PRÓPRIO PONTO DE VISTA... ~ Querendo ou não a gente acaba duvidando de nós mesmas, porque repetem tanto isso em forma de subtexto (ou diretamente) pra gente enquanto crescemos que, por mais que eu fosse feliz solteira, ainda assim pensava ‘mas não vou produzir um texto sobre isso, vai que eu mude de ideia quando namorar e me contradiga?’

Uma bosta, mas é a realidade.

Estar namorando só me fez perceber uma coisa: eu tinha razão. (E como boa leonina, nem amo ter razão, rs)

Estar namorando não me fez mudar meu ponto de vista. Talvez só o reafirmou ainda mais.

Aposto, no entanto, que durante a leitura desse texto vou receber comentários de “deve ser infeliz no namoro, essa daí” ou “não tá apaixonada de verdade pra falar isso”. Já previamente aviso que tô bem feliz sim, não sinto falta de ser solteira e tô muito apaixonada obrigada de nada.

MAS É AÍ que a porca torce o rabo. (Desculpa pela frase clichê, mas tô digitando isso às 4:00am depois de tomar um dramin, não esperem demais do meu texto).

Nós somos CONDUZIDOS a pensar na mulher como o PLUS ONE do cara em tudo. Até em sentimentos e autonomia. Que bosta né?

E é exatamente nisso que se encaixa a frase “as mulheres hoje em dia estão muito exigentes”.

Vocês já pararam pra pensar o que essa frase realmente significa? Estamos tão acostumados a reproduzir certas coisas que não pensamos no significado real das palavras. Dizer que uma mulher está exigente demais em questões afetivas é deprimente... Sabem por quê?

Afirmar isso é dizer que uma mulher NÃO PODE exigir isso ou aquilo de alguém se quiser ter uma pessoa pra chamar de “sua” (nem vamos entrar na questão da possessividade porque né rs). É dizer, subentidamente, que a mulher PRECISA ter um homem do lado – e pra isso ela não pode ser muito exigente e precisa aceitar as falhas do cara quando elas aparecerem. Isso tudo porque antigamente a mulher era DEPENDENTE do homem e se não se submetesse aos caprichos de algum deles, ela não casaria, e assim não teria status, nem dinheiro, nem amigos, nem família, nem nada.

Agora, querida migs, lhe pergunto... Por que diabos você precisa se submeter a isso? Por que não pode ser exigente?



Um homem hoje em dia do seu lado não significa estabilidade (emocional ou financeira). É você mesma que produz seu dinheiro, que cria seus laços sociais, sai sozinha, compra o que bem entender. Se você consegue fazer tudo isso sozinha, por que precisaria abrir mão de uma felicidade só porque te dizem que você vai ser MAIS FELIZ com um cara do lado?

Estar com alguém NÃO deve botar em risco sua estabilidade emocional. Não deve anular sua autonomia ou sua independência. Então, miga, você pode, e DEVE SIM, ser exigente na escolha de um parceiro.

E veja bem, não estou dizendo aqui que ficar sozinha é mais legal do que estar com alguém. O que eu quero dizer é que essa solidão que faz constantemente com que nós mulheres pensemos que “precisamos de um relacionamento” deriva do quanto a sociedade estimula a nossa baixa autoestima. A competição feminina e a objetificação da mulher faz com que nós nos sintamos “não suficientes” para nós mesmas. Precisamos que alguém nos ame romanticamente para reconhecermos nosso valor.

Quando percebi isso foi quando me dei conta que eu não era “estranha” por não estar atrás de um relacionamento. Questionavam qual era o grande motivo para eu não namorar (como se devesse haver algum), ou comentavam com pena que eu “precisava achar alguém”. E aí percebi que eu estava sozinha porque eu não precisava de ninguém pra ser feliz.

Não romanticamente pelo menos.

Todos nós precisamos de amor e carinho. Eu recebia isso dos meus pais, dos meus amigos e familiares. Eu me sentia bem-quista. Esse sentimento me completava. E eu comecei a me gostar também. Me respeitar. Comecei a ver que eu era legal pra caramba. E isso me fazia feliz.
Assim eu consegui botar em palavras o que sempre rondava pela minha cabeça quando me pressionavam sobre relacionamentos:

UM RELACIONAMENTO É UMA TROCA DE SENTIMENTOS ENTRE UM CASAL, ONDE AMBOS OS PARCEIROS SE BENEFICIEM.

Um relacionamento não é bengala emocional. Você só deve entrar num relacionamento se você encontrar uma pessoa que te instigue a isso, e não fazer o contrário, que é PROCURAR por um relacionamento, no ar, no vácuo, sem nem nutrir sentimentos por ninguém antes disso.

E você pode SIM ser exigente.

Porque se você é completamente feliz consigo mesma, com seus laços sociais e sua vida, um relacionamento tem um objetivo: acrescentar mais positividade nisso tudo.

Expliquem-me por que vocês estragariam uma estabilidade emocional e autonomia apenas para ter alguém ocupando uma vaga de “namorado” ou “namorada” do lado? Pra poder dizer que tá namorando, né? Pra ser “feliz” com alguém pra sair quando os amigos não podem, ou ver filme, porque fazer essas coisas sozinha é “meio deprimente” né? Deprimente por que? Quem disse?

Nossa sociedade está tão errada que ela nos ensinou a priorizar “o que os outros vão pensar” antes de “o que eu sinto”. Ou vão me dizer que é por outro motivo que vocês sentem que precisam de um namorado sem motivo aparente?

Vocês sentem isso porque ensinaram vocês que não importa o quão legal você seja, você não é respeitada completamente sem um homem do lado. Você vai ser falha e incompleta sozinha. “Ah mas eu tenho amigos e família”, você diz. E eles vão te dizer “ai querida, não é a mesma coisa”. Então você pode contra-argumentar com “não me falta sexo, tenho rolos” e aí eles vão rir e o tom condescendente chega, com algo parecido com “ah, claro” e “um dia você vai entender”.

OLÁ, estou aqui pra dizer que NÃO ENTENDO.

Estou aqui pra dizer que TÁ TUDO ERRADO.

Só comecei a namorar quando encontrei alguém que me trouxe motivos suficientes para acreditar que eu ia ser mais feliz com ele do que estava sendo sozinha. Que mostrou que ia acrescentar na minha vida, e não ao contrário. Só comecei um namoro porque além de amor houve entendimento mútuo e respeito. Por esse cara eu decidi abrir mão de estar solteira (porque sim, eu amo ser independente, mas ele me fez concluir que não preciso deixar de ser independente mesmo estando com alguém, se essa pessoa realmente se importar comigo).

Não deixem outras pessoas influenciarem a felicidade de vocês por culpa de padrões sociais. Claro, válido lembrar que: Vocês não devem se fechar para relacionamentos, porque negar qualquer coisa de forma extrema TAMBÉM TÁ MÓ ERRADO VIU... Mas não se deixem levar pela ideia de que vocês tem algo errado caso não tenha ainda surgido aquela pessoa pela qual vocês achem que vale a pena abrir mão de ser solteira.

E enquanto ela não aparece – se aparecer né, porque também não tem NADA errado de ser uma mulher adulta, independente e solteira se é isso que preferem – vocês podem aproveitar a vida como bem entenderem, conhecer caras, fazer contatinhos e, principalmente, vocês podem SER BEM EXIGENTES SIM, porque a felicidade de vocês vale mais do que qualquer relacionamento amoroso.

Beijos galácticos,

Lari.
"Cacetada!" - Tassinari, Larissa (ao descobrir uma nova série legal no Netflix na última semana)



Alguns já devem ter ouvido falar de The Fall. Outros já devem ter assistido. Desses "outros", uns quantos devem ter achado apenas "ok"... Afinal, gosto é gosto e nem Gretchen conseguiu agradar a todos né nón? 

Mas sei que muitos não conhecem/viram ainda, e acho necessário apresentar alguns tantos motivos dessa série ter me prendido tanto, tão rápido.

The Fall é uma série anglo-irlandesa (já vem carregada de contexto cult com essa base aí né migos, pronta para hipsters do mundo televisivo dizerem que viram before it was cool), criada por Allan Cubitt e dirigida por Jakob Verbruggen. Caso interessar possa, o Allan produziu, entre diversos filmes e séries, dois longas britânicos baseados em um detetive bem famosinho, "Sherlock Holmes e o caso das meias de seda" (2004) e "O cão dos Baskervilles" (2002). Já o Jakob foi o diretor responsável pelo episódio Men against Fire, de Black Mirror. Etaaa.

Essa série me chamou a atenção E me fez desistir de vê-la, inicialmente, pelo mesmo motivo. O elenco tinha o Mr. Grey, de 50 tons de cinza (que acho bem bostinha, digo mesmo), e a Gillian Anderson, que pra quem não conhece é a protagonista de X-Files. 

Ei, não me entendam errado, diferente do Mr. Grey ali, eu amo a Gillian. No entanto, me apeguei a ela no papel da policial Dana Scully, em X-Files, e imaginei que sentiria dificuldades em separar as personagens, já que ela em The Fall TAMBÉM é uma policial - uma detetive da Polícia Metropolitana, mas mesmo assim...

Só que o tédio chega para todos, né keridos. Estava eu sem saber o que assistir, essa série dando boca... Decidi que ~~~É HOJE. 

Então vamos aos motivos pelos quais TODO MUNDO DEVERIA VER ESSA SÉRIE.

Primeiramente, vale citar que ela pode agradar os dois lados da moeda: aqueles que amam uma série policial e aqueles que normalmente não curtem a vibe procedural desse tipo de drama.

Já no primeiro episódio você fica meio UÉ UÉ. ué?

Isso porque estamos acostumados a um tipo de narrativa na atualidade (I mean, nos últimos 10 anos) da televisão, normalmente aquela que se repete na mesma receita de bolo das séries americanas policiais. NÃO que eu esteja criticando, amo esse modelo, mas The Fall pega essa receita e joga mais uns produtos dentro e faz de um bolinho inicialmente comprado pronto na padaria, uma torta de três andares de morango com chocolate de 200 reais. 

Pra quem não conhece nem a sinopse, The Fall conta a história de uma detetive que vai pra Belfast, capital da Irlanda do Norte e aparentemente meio barra pesada em questão criminal. A intenção dela é revisar o trabalho policial feito num assassinato de uma mulher, que não foi resolvido e estava ganhando atenção na mídia. Só que quando ela chega lá, acontece outro assassinato com o mesmo padrão e ela fica tipo MANOS, É O MESMO ASSASSINO. Só que os manos falam NÃO É NÃO, VOCÊ PARE. Mas ela é afrontosa e ela diz VOU PROVAR SAPORRA. Aí ela prova, porque ela é foda. E afrontosa, como já falei. E daí começa a caça ao serial killer que tá assassinando mulheres solteiras e bem sucedidas, deixando elas deitadas nuas na própria cama.

Até então tá normalzinho, né? Já tem vários plots similares. MAS aí sim vem o diferencial da narrativa. A série não é narrada pelo ponto de vista da polícia apenas. É narrada pelo ponto do assassino TAMBÉM. Não mostra apenas os assassinatos sendo cometidos. O episódio equilibra cenas da polícia, da policial Stella Gibson na vida pessoal e do assassino no seu dia a dia. Corta cenas do cadáver da última vítima para cenas do assassino, pai de família, brincando com sua filha de 8 anos e cuidando do lar, que consiste em mais um filhinho pequeno e a mulher.

Essa visão diferenciada gera no telespectador duas sensações principais: desconforto e, principalmente, a possibilidade de associação. 

A maioria das séries, mesmo Criminal Minds, que aborda casos um pouco mais pesados e visuais, por mais que expliquem que um assassino pode ser QUALQUER UM, ainda assim mostram lapsos apenas de seu comportamento como tal, como assassino. The Fall brinca com essa possibilidade. Eles mostram aquilo que nossa cabeça prefere não assimilar; mostram que a frase "seu vizinho comum e tedioso pode ser um serial killer" significa literalmente que uma pessoa sem maldade nenhuma aparente, que cuida, banha, dá comida e leva pra escola a filhinha de 8 anos, sai a noite e observa, planeja e, finalmente, mata com as próprias mãos uma mulher inocente. Apenas para, depois, voltar para casa, dar um beijo de boa noite na testa da filha, e ir dormir ao lado da mulher.

Se não fosse suficiente essa perspectiva, ainda temos o papel da protagonista sendo uma tombadora de forminhos na série. Ela chama o assassino de misógino. Ela questiona o motivo de uma mulher não poder parecer feminina na força policial. Ela, ainda, bate de frente ao perguntar por que incomoda tanto quando uma mulher é o sujeito da frase e o homem o objeto, quando questionada sobre uma noite de sexo casual. "Por que quando o homem é o sujeito e a mulher o objeto, está tudo bem? Mas quando a mulher quer sexo casual, e o homem se torna o objeto, de repente é uma afronta?".

ELA MESMO AFRONTOSA MELLO.


Outra coisa válida é o sotaque inglês forçado de alguns personagens por estarem gravando na Irlanda. Vale a pena ver. HE HE HE.

Surpreendentemente o Mr. Grey atua tão bem como assassino que até entendi o motivo de terem escolhido ele como ator principal para 50 tons de cinza, afinal um cara controlador, passivo-agressivo e com problemas psicológicos é exatamente o que ele faz em ambas as histórias né?

Estou na segunda temporada (são três temporadas, de uns 6 episódios cada), e até agora não me decepcionei com nada. E OLHA que não sou aquela de exaltar séries europeias. The Fall tem a mistura perfeita de série policial, questões sociais, política, feminismo e drama... Além de um humor ácido personificado na forma da personagem da Gillian.


CORRE VER QUE SÓ DEUS SABE QUANTO TEMPO NETFLIX VAI DEIXAR ELA LÁ EIN. E depois, faz favor e vem me contar o que achou, tá?

Estrelinhas de amô pra todos <3 



Oi Brasil. E Portugal, sei lá, vocês lêem ptbr também, então não custa tentar interagir, caso alguém daí apareça por aqui. (quê?)

Eu tô há uns dias (aka semanas) para escrever aqui sobre isso. NÃO que vá fazer muita diferença, porque eu sei que as pessoas continuarão me fazendo a mesma pergunta - mesmo que eu saiba que, na maioria das vezes, não é devido à má intenção.

(Só pedindo desculpas desde já. Esse texto foi meio bem pessoal, aí só vomitei todas as palavras pra fora aqui nesse post e não revisei. Perdoem qualquer - ou os vários - erros de digitação que podem aparecer)

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Pra quem não sabe, comecei a trabalhar na área de estética (mais precisamente Estética Facial) nos últimos meses. Até então não tinha aberto muito sobre isso pra todo mundo porque não sabia lidar com as reações. "Mas e o Jornalismo?" "Largou a tua área?" "Mas tu te formou em uma coisa totalmente diferente!". Toda vez que ouvia isso me dava um frio na barriga. Ainda dá, se é pra ser sincera. Vocês acham realmente que eu não fui a primeira a pensar "O que eu tô fazendo?" "Eu fiz uma faculdade e agora tô querendo sair da área?" "O que vão pensar?" "Eu to desperdiçando o dinheiro dos meus pais que pagaram a faculdade, e seis anos de curso". Antes de eu entrar de vez pra Estética, antes de vocês sequer ouvirem falar que eu estava com ideia de trocar de área, eu já me questionava tuuuudo isso. E eu sei, do fundo do coração, que vocês não tem má intenção em dirigir esses questionamentos pra mim. POR QUE EU TAMBÉM TIVE AS MESMAS DÚVIDAS. Então sentem aqui comigo, peguem umas bolachinhas e um chá de pêssego, e vamos conversar. Vou explicar tudo que eu fui capaz de concluir sozinha, depois de meses pensando e quebrando a cabeça numa discussão interna comigo mesma.

Isso tudo começou de modo louco. Me formei em Janeiro/2016 em jornalismo. E eu juro que amo comunicação (talvez não mais tanto o jornalismo em si, mas a comunicação é amor eterno), e nunca vou deixar de amar. Foi estudando Jornalismo que me tornei a pessoa que sou hoje e, se formos seguir uma linha lógica, que me levou à profissão que acabei escolhendo. O jornalismo me desconstruiu, me fez questionar, lutar, discutir e ir além. Foi a comunicação que me proporcionou essa visão da sociedade que é muito mais complexa do que nosso próprio umbigo. Que me fez ver além da minha situação financeira, além da minha sexualidade, além da minha posição política. Foi o jornalismo que me ensinou a ser quem eu sou; me ensinou a perder preconceitos, a perder a vergonha de me expressar; me ensinou a não me importar com a opinião alheia e não sentir necessidade de me encaixar em algum padrão. Me ensinou o feminismo, a coragem pra me vestir como quero na rua, e a irmandade. Me ensinou o que era o machismo e a gordofobia. Me ensinou as dificuldades que nós mulheres passamos na necessidade de nos sentirmos aceitas. 

Graças às portas que a comunicação e o jornalismo abriram na minha mente, eu fui capaz de me tornar essa pessoa que sou hoje. E essa pessoa de hoje não se vê mais sentada numa mesa, redigindo, seguindo uma rotina de trabalho ou respondendo a um superior. Como um professor meu de empreendedorismo uma vez disse, "Há pessoas que nasceram para trabalhos rotineiros, outras não. Há as empreendedoras, e as que não são. E não tem nenhum problema ser ou não ser uma, pois a sociedade precisa dos dois lados". A pessoa que sou hoje nutre uma vontade louca de fazer a diferença DE UMA FORMA DIFERENTE. Eu queria me sentir totalmente satisfeita na área, numa redação ou numa agência. Mas não é assim. E me prender nisso tava, no mínimo, me deixando bem infeliz. 

Comecei a sentir cada vez mais necessidade de gritar e ajudar outras pessoas, outras mulheres, dizer o quão especial elas são. O quão lindas elas são. Que não importa altura, peso, cor de pele, sexualidade ou o diabo a quatro. O que importa é o amor-próprio e a segurança de que cada uma de nós é um indivíduo único, e não tem por que aceitar comparações. Eu vivi isso (por mais que nunca da forma que outras mulheres viveram, claro), toda mulher vive isso. E com a ajuda inconsciente de várias pessoas e diversas novas tendências de self-love na rede, eu comecei a mudar, a me amar mais, a me sentir única como nunca me senti antes. 

Aí eu comecei a me interessar pela questão da Beleza. Tem quem diga que maquiagem ou qualquer coisa relacionada a isso é futilidade. NÃO MANAS. Não é. É EXPRESSÃO. O que uma mulher pinta ou não no rosto dela, é a forma dela externar sua personalidade através da arte. Já vi críticas estúpidas pra uma blogueira ruiva e sardenta, porque "ela tapa todas as sardas, então ela não se aceita como ela é". MIGAS, NÃO. Ela se maquia porque ela ama fazer isso, ASSIM COMO ELA AMA AS SARDAS DELA. Sacas? Beleza já não é mais uma questão de se esconder atrás de uma falsa persona, é a expressão de si mesma e da personalidade através de coisas que a gente gosta. Roupas, maquiagens, cabelos... Claro, há muitas e muitas mulheres inseguras ainda, que usam da maquiagem para se proteger das inseguranças. MAS o objetivo é justo esse: demonstrar que esses complementos tão ali pra te fazer feliz, não te esconder. Não tem nada de errado se você ama maquiagem, ou se você ama seu rosto limpo. O importante é se amar.

Bom. Entendendo isso... Como eu também demorei um pouco pra entender... 

Eu estava surtando, desempregada depois de 3 anos trabalhando direto. Minha mãe (dona de uma clínica terapêutica) me incentivou a fazer algum curso, para ao menos eu ocupar meus dias e, se gostasse, também poderia ajudar ela na área. Minha mãe faz massagem. Nunca gostei disso (haha), e nem seria capaz, porque não tenho força nenhuma nos braços - snif snif. Um dia vendo programações de cursos, me deparei com o de Estética Facial e Cosmetologia. Li e deixei a ideia pra lá. Passou um dias e voltei a pensar nisso. Chamei minha mãe e falei "olha, esse é um curso que eu faria". Larguei assim, sem pretenção nenhuma. Mamãe então me olhou no grão do olho e falou "mas vai e faz então, ué".

Uma semana depois tava eu no curso. 

"O que eu tô fazendo aqui?", foi o que pensei quando estacionei o carro na frente da escola. Eu nunca trabalhei na área estética, não tenho nenhuma experiência. Mas vamos lá né. A experiência de conviver desde pequena com uma mãe técnica em enfermagem e massoterapeuta tem que ter ajudado pra algo, né? NÉ?

Na segunda aula já foi um negócio louco. Cheguei em casa maravilhada. Olhei pra mãe e falei "acho que tô gostando" (desculpa gente, não sei expressar bem meus sentimentos. Tenho medo de me precipitar, então eu posso tá gritando por dentro, mas por fora eu vou só dizer 'tá legal' e ir embora haha). A cada aula me encantei mais pelo assunto, e um dia, no intervalo de uma delas, percebi que era isso que eu queria fazer. Não necessariamente ganhar dinheiro com a estética (dã, isso faz parte né), mas fazer as pessoas - principalmente as mulheres - se olharem no espelho e se gostarem. Sem maquiagem. Ou com maquiagem, tanto faz. Mas se amarem. Ensinar elas a cuidar do rosto, da pele, a se sentirem bonitas. E se durante o processo eu posso ajudar elas a entenderem que são bonitas por dentro e por fora, já é um plus.

Quando me dei conta disso também apareceu a crise existencial. Eu vou mesmo desistir do jornalismo? Mas o que meu pai vai dizer? E a vergonha de falar que vou largar tudo? O que minha família (e eu tenho três né) vai falar? 

E vocês sabem o mais engraçado? Esse é nosso cérebro sendo idiotinha. Principalmente no meu caso, ou no caso de qualquer pessoa que sofre de ansiedade e já sofreu de depressão. A gente tende a achar que, o tempo todo, tá decepcionando as pessoas na nossa volta. E vocês sabem o que meu pai falou quando eu finalmente tive coragem de dizer pra ele que "eu achava que tava gostando muito disso"? Ele só olhou pra mim e falou "que bom filha, fico muito feliz que tu tenha achado algo que está gostando de fazer". Isso. SÓ ISSO. Enquanto meu cérebro tava criando mil expectativas, pensando que eu ia decepcionar minha família, eles na real estavam super empolgados de me ver feliz numa profissão que eu tinha descoberto pra mim.

Minha mãe e meu pai prontamente me deram apoio, emocional e financeiro (cês não sabem o quanto é caro um kit de produtos profissionais pra limpeza de pele, peeling, revitalização, etc). Me estimularam e até agora ficam feliz com o quanto ainda tô empolgada. E isso é bem novo pra mim. Esse sentimento. Sempre gostei de todos os trabalhos pelos quais passei, mas nunca tive essa satisfação pessoal, de sentir que realmente eu ia fazer a diferença na vida de algum indivíduo diretamente.

Percebi que amo lidar com pessoas. De auxiliar elas. De aprender coisas que eu possa passar adiante (mas não num sentido teórico, e sim num prático). Percebi que amo ser minha própria chefe, organizar minha própria rotina.

"E a comunicação?", me perguntam. A comunicação vai bem. Uma faculdade, qualquer ela que seja, NUNCA vai ser perdida. Todo ensinamento é levado conosco e nos faz pessoas melhores. No meu caso eu aprendi a me comunicar melhor, a ser mais empática, a ter uma visão neutra de problemas, a vender meu produto de forma certa e consciente (amém marketing), a divulgar meu trabalho e atrair prospects. A comunicação nunca vai ser perdida na minha vida. E além disso, é ela que me faz ter liberdade suficiente pra publicar num blog, falar sobre a vida, como agora, ou sobre séries, filmes, livros, música, etc. Estudar comunicação foi a melhor coisa que fiz como forma de iniciar minha vida adulta. E agora, a estética, é a descoberta apaixonante que me faz continuar.

Então não, não pretendo voltar a sentar numa redação (não podemos dizer nunca porque né, nunca se sabe o futuro). Mas não, não pretendo também abandonar o jornalismo ou a comunicação, porque foram eles que pautaram a Larissa que sou hoje.

E caso alguém não saiba ainda a maravilha que é ser capaz de melhorar a auto-estima de alguém: tente.


Mulheres, não se comparem, não diminuam umas às outras. Amem-se, respeitem-se, inspirem-se. A vida é tão curta pra vivermos com medo da opinião alheia, ou vivermos com a necessidade de recebermos aprovação. A única aprovação que precisamos é de nós mesmas quando nos olhamos no espelho e nos amamos assim como somos; sem necessidade de encaixar-se naquilo que revista A diz ou que site de moda B implique. E acho que é isso que eu tinha pra dizer. É. Amém. Cês são lindos e obrigada por lerem tudo isso. 



"O melhor sinal de um relacionamento é não haver sinal dele nas redes sociais"

Esse é o título de um post que vi rolando no Facebook. Já apareceu umas três vezes na minha timeline e finalmente decidi escrever sobre o assunto. Acho que tive vontade de falar disso, primeiramente, porque eu pensava assim até pouco tempo atrás. Também pensava que usar saia na rua era um problema da mulher, pois incitava o estupro. Também achava que pena de morte era a solução. Achava várias coisas que é fácil achar porque é a solução mais óbvia e fácil, sem precisar ser estudada. É o que se chega à conclusão analisando o óbvio.

Mas tá errado.

A simples visão dramática da sociedade sobre as redes sociais tá errada. E o irônico dessa situação toda, voltando ao foco do post, que é relacionamentos nas redes sociais, é que quem critica o hábito de namoro no feed do Face normalmente acha isso porque fica 24/7 dando scroll na timeline, e só sabe dos relacionamentos alheios porque passa o dia olhando.

Tô aqui pra julgar quem fica 24h online? LOL, com certeza não. Primeiro porque seria hipócrita, uma vez que eu mesma nunca me desligo totalmente. 

Mas as pessoas tendem a reclamar daquilo que não tem noção ou controle. 

Existem casais que exageram na comunicação online? Sim. Assim como existe no offline - eu particularmente detesto manifestações públicas de afeto, então se você estiver com seu boy magia num lugar aberto, com outros serumaninhos, e decidir enfiar a língua na garganta dele, eu vou te olhar e pensar PORRA PRA QUE?

Há, com toda certeza, aqueles casais que compensam e mantém uma fachada nas redes sociais, enquanto na vida pessoal estão tapados de problemas e falta de compatibilidade. Existe namorado mandando 30 eu-te-amos pra moça, quando na realidade trai ela toda semana. Têm tudo isso SIM. 

Mas também há casais que simplesmente são conectados. Que amam tirar e compartilhar fotos dos programas que fazem, que gostam de mencionar no face as datas comemorativas. E isso não é sinônimo de dramatização, de fachada ou persona.

A questão é: Por que diabos isso interessa? Por que diabos deveríamos produzir e compartilhar textos falando, como via de regra, que casal feliz mesmo não divide felicidade, não divulga, não faz isso ou aquilo? Cara, se pra você é melhor um relacionamento intimista, fechado, beleza. Mas pare de regulamentar e padronizar relacionamentos.

Não tenho namorado no momento. Mas tenho amigos. E a gente ama tirar fotos. A gente se olha numa janta, numa festa ou numa reunião e fala "nossa, parem quietos, precisamos tirar uma foto agora". E isso não é sinal de relacionamento "plástico". É simplesmente nossa reação a gostarmos de documentar momentos. E se documentamos, e gostamos de compartilhar, por que não? Por que não compartilhar momentos felizes?

Não tô dizendo que não acho meloso ao extremo casais que ficam fazendo textões de aniversário um pro outro, e etc. Nem que não acho forçado casais que mandam todo dia no Facebook um "ai mozi eu te amo" de graça, sendo que vê a pessoa ao vivo todo dia. Posso achar. Posso dizer que nunca faria isso. Mas não vou ser cara de pau e sair ditando que por isso ou aquilo o relacionamento deles é meio bosta, pelo simples fato de que:

- Um dia pode ser eu, nunca sabemos o que o futuro aguarda, e aprendi isso recentemente.
 - Eu não tô dormindo no meio dos dois pra saber como é o relacionamento deles.

Assim, por que temos quase um desespero por querer provar que nosso comportamento online é o correto, e que casais devem agir de um modo, amigos devem ser de tal jeito, etc?

Tem gente que esquece, que não acha necessidade e que não curte ficar postando fotos de encontros (românticos ou não) no face, mas tem gente que gosta. Se todo mundo pensasse e agisse igual, ia ser uma merda o mundo.

Independente de gostarem ou não, por favor, parem de achar que só porque o que o coleguinha faz é diferente do que você faz, é porque tem alguma coisa errada com ele. Ou com você, no caso. 

Laços afetivos só são 100% compreendidos pelas pessoas envolvidas neles. Não cabe a outsiders quererem traduzir ações como se estivessem analisando páginas de um livro. Deixem os manos e as minas postarem muita foto de casal, fazerem muito check-in em restaurante, cineminha e/ou motel (vai saber né haha), postarem muitos textinhos sobre momentos especiais. E se você não gosta? Não faça, cara. Só... não... faça.

Acha muito meloso? Acha falsiane? Tira do feed. Mas não assuma que algo é fachada e falso só porque está presente nas redes sociais com mais frequência do que você gostaria. Cada um tem sua forma de agir.

Agora, qtau a gente parar de fazer textão (pra ganhar like) falando sobre como é certo ou não guiar relacionamentos? Vamos cada um cuidar da sua vida e sermos felizes, seja uppando 15 fotos por dia nas redes, ou nenhuma? qtau essa ideia? partiu? :)